quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Abrigos de Porto Alegre enfrentam dificuldades que vão além da falta de verbas

Muitas vezes formados por apenas uma pessoa disposta a melhorar o planeta, sem os recursos necessários, abrigos para animais abandonados oferecem comida e um teto para bichinhos que aguardam a adoção.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde,o número de animais em uma cidade corresponde a 40% de sua população humana, sendo desses 40%, 5% formada por animais de rua. Se assim fosse, Porto Alegre deveria ter em torno de 3000 animais abandonados, porém, de acordo com o Comitê para o Bem Estar Animal, vinculado ao Gabinete do Vice-Prefeito, José Fortunati, esse número não é o correto, seria muito maior: na verdade, é impossível afirmar com certeza a quantidade de bichinhos pelas ruas da nossa capital, uma vez que, por exemplo, em um ano, uma cadela pode ter duas ninhadas, e suas filhas, em seis meses, já podem procriar também: é um crescimento exponencial.







Enquanto a maioria das pessoas, ao passar por um animal de rua, apenas sente pena ou, não raro, afasta de forma ríspida o bicho, existem aqueles que, talvez por terem uma "missão especial" na Terra, ou simplesmente por estarem mais comprometidos com a vida, juntam estes seres vivos e os dão abrigo: alimento, teto, remédios, amor e a chance de serem adotados e receberem um lar definitivo, uma família que os acolha.

Porém, ração, remédios e cuidados custam caro, e os proprietários dos abrigos, geralmente, contam apenas com o seu salário para manter a si mesmos, à sua casa e aos animais. Nesse caso, os abrigos passam a depender de doações de voluntários, de parceria com veterinários e até mesmo de rifas para arrecadação de fundos.

Reciclagem para ajudar cãezinhos
Paula vive em um sítio com aproximadamente 120 cães abandonados. Não divulga o endereço, pois as pessoas costumam ir até lá para "desovar" ninhadas. Ela alimenta esses cães, cuida dos doentes, busca esterilização e os divulga para adoção, sem receber nenhum auxílio do governo para realizar este trabalho, embora a obrigação de cuidar da saúde seja do município, e sabe-se que o bem-estar e a saúde dos bichos se reflete diretamente na saúde dos seres humanos. Paula vive com o salário do seu esposo, Carlos, que juntamente a ela se dedica à causa dos cachorros abandonados. Para conseguir mais dinheiro, ainda realiza um trabalho de reciclagem de garrafas pet e latinhas doadas por amigos e vizinhos. Porém, Paula estima que o gasto diário com ração fique em torno dos R$ 80,00, sem mencionar as despesas veterinárias, dentre outras.

R$ 13.155,00 por ano
Isabel cuida de 54 gatos, dentre os que estão na sua casa e os que ficam pela vizinhança, e afirma que não conseguiria arcar com os custos para manter os bichanos sozinha: se não fossem as doações e o dinheiro adquirido com a venda de rifas, os animais morreriam de fome.
Ela afirma que cada gato consome, mensalmente, 2,5kg de ração, enquanto o valor anual de cada vacina é R$ 50,00, mais R$ 55,00 de consulta, por bicho. Para os 54 felinos, Isabel estima um gasto anual de R$ 13.155,00

Outras dificuldades das protetoras
Além das complicações financeiras, os animais em abrigos, apesar de estarem "guardados", ainda sofrem com ameaças diversas: a prefeitura quer fechar o sítio de Paula; os vizinhos reclamam dos gatos de Isabel. E se não fossem problemas suficientes, as duas costumam se deparar com novos animais abandonados em suas portas, muitas vezes doentes, feridos, maltratados ou com filhotinhos. Estes bichinhos, em situação de urgência, precisam de cuidados imediatos. Para os cuidados e castração dos animais, tanto Paula quanto Isabel contam com parcerias com clínicas e veterinários, que oferecem tratamentos a baixo custo. Porém, nem sempre isso é o suficiente, ainda mais se for levado em conta que novos animais surgem quase diariamente.

Esforço que vale a pena
Apesar dos gastos e do trabalho que os animais trazem, as duas protetoras são unânimes ao afirmar que é um esforço compensatório: a idéia de que se está realizando uma missão divina, ou então a certeza de que um ser a menos está na rua, pois conseguiu um lar com donos amorosos, faz com que as dificuldades enfrentadas diariamente pareçam um pouco menores. Afinal de contas, o valor de uma vida não se calcula em dinheiro.

A falta de apoio das autoridades não vai encerrar o trabalho
As protetoras afirmam que falta um incentivo público, por menor que seja: castrações e vacinas gratuitas, maior rigor na fiscalização sobre aqueles que maltratam e abandonam animais. Entretanto, em um país onde até mesmo muitas pessoas estão abaixo da linha de pobreza, parece utópico falar em cuidado dos animais por parte do Estado.
Porém, mesmo com todas as dificuldades, com a falta de dinheiro, com as constantes ameaças, os vários animais abandonados todos os dias que fazem com que o trabalho seja sem fim, Paula e Isabel não pretendem encerrar sua valiosa atividade.
Isabel salienta que, felizmente, o número de simpatizantes dos animais de rua têm aumentado: hoje em dia, é possível encontrar até mesmo guardadores de rua cuidando de um cãozinho. Ela também lembra que o importante é garantir segurança, alimentação e esterilização aos animais, e que qualquer um pode ajudar os bichinhos de rua, pois basta divulgar os que estão por aí através de sites de ONGs ou lista de emails para os amigos.
Para essas duas mulheres e muitas outras pessoas, voluntários, adotantes..., cada vida salva é um grande passo, uma vitória especial.
E só quem conhece o ronron de um gato ou o abano do rabo de um cão agradecidos sabe como esses pequenos seres fazem nossa vida mais completa e mais feliz.


Adote um animal e tenha um companheiro para a vida inteira! Todas as fotos que ilustram essa matéria são de bichinhos esperando um lar, um novo papai ou mamãe!

Agradecimentos especiais a Fabiana Ribeiro pelas fotos do sítio da Paula e ao pessoal da Arca dos Bichos, que além dos gatinhos da Isabel, ainda divulga cãezinhos para adoção e realiza de tempos em tempos uma feirinha. A próxima será dia 20, domingo (se não chover) no Mundo Pet, na Venâncio Aires, 711.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Fundação vai premiar as melhores iniciativas em favor dos direitos dos animais

A Fundação Animal Livre, que incentiva a adoção de animais abandonados, promove a partir desse mês, o prêmio "Uma Boa Iniciativa Mobiliza". A iniciativa faz parte de uma série de ações cujo objetivo é despertar a conscientização sobre os direitos dos animais.

Serão selecionadas as 5 melhores ações, que receberão apoio financeiro para a esterilização de um total de 100 animais, além de terem o trabalho divulgado no Portal Animal Livre. As inscrições vão até o dia 31 de Março de 2010.

De acordo com a presidente da Fundação, Vininha Carvalho, os participantes devem enviar um texto de até 5mil caracteres relatando a experiência, com fotos. Vininha ainda ressalta a importância do acompanhamento após a adoção dos animais: "Não basta doar o animal, é preciso acompanhar se foi efetivo", disse ela à AmbienteBrasil.

A análise dos inscritos deve ser concluída até 30 de agosto de 2010, quando serão anunciadas as iniciativas vencedoras.

Fonte: Ambiente Brasil